quarta-feira, outubro 24, 2018

Você acredita em vida após o parto?


Um escritor espanhol explicou a existência do Deus invisível com uma ótima analogia:
No ventre de uma mãe havia dois bebês. Um perguntou ao outro: “
Você acredita em vida após o parto?”
O outro respondeu: “É claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde.”
“Bobagem”, disse o primeiro. “Não há vida após o parto. Que tipo de vida seria essa?”
O segundo disse, “Eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez vamos poder andar com as nossas pernas e comer com nossas bocas.
Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora.”
O primeiro respondeu: “Isso é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a boca? Ridículo! O cordão umbilical nos fornece nutrição e tudo o que precisamos. Mas o cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto logicamente está fora de questão.”
O segundo insistiu, “Bem, eu acho que há alguma coisa, e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vai precisar mais deste tubo físico.”
O primeiro respondeu: “Bobagem. E além disso, se há mesmo vida após o parto, então por que ninguém jamais voltou de lá? O parto é o fim da vida, e no pós-parto não há nada além de escuridão e silêncio e esquecimento. Ele não nos leva a lugar nenhum.”
“Bem, eu não sei”, disse o segundo, “mas certamente vamos encontrar a Mãe e ela vai cuidar de nós.”
O primeiro respondeu: “Mãe? Você realmente acredita em Mãe? Isso é ridículo. Se a Mãe existe, então onde ela está agora?”
O segundo disse: “Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos dela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não seria e não poderia existir.”
Disse o primeiro: “Bem, eu não posso vê-la, então é lógico que ela não existe.”
Ao que o segundo respondeu: “Às vezes, quando você está em silêncio, se você se concentrar e realmente ouvir, você pode perceber a presença dela, e pode ouvir sua voz amorosa, lá de cima.”
– Pablo J.Luis Molinero

quarta-feira, setembro 14, 2011

Plebeu, talvez...


Ouvem-se trombetas...
As bandeiras estão a meia haste...
O Sol há muito que se escondeu...
Os pássaros do bosque perderam o seu canto!
As flores perderam a sua cor...
No Reino, todos estão tristes...
A Princesa desapareceu!
As lágrimas correm pela face do Rei!
Sente-se pequeno... Muito pequeno.. Impotente!
Procurou-a incansavelmente mas não a encontrou!
A Princesa desapareceu!
O Rei não a reconhece... À sua Princesa...
Gritou aos quatro ventos, mas a resposta foi o silêncio!
Onde estás?
Mais uma lágrima lhe corre pela face...
Mais uma que vai ao encontro do oceano que mancha o chão!
Muitas lágrimas tinha o Rei...
Ninguém lhe pode valer... A não ser ela...
Mas...
A Princesa desapareceu!
O Rei pergunta aos pontos cardeais se a viu...
Ela está sem norte!
O Rei olha o horizonte... A esperança vive no seu coração...
No entanto, sabe que ela não vai voltar...
O Rei sente-se ainda mais pequeno...
A Princesa desapareceu!
Sem novas, o coração do monarca mirra...
Olha os caminhos...
Sela os cavalos e parte sem destino...
A chuva aparece!
A chuva sim, compreende-o...
Ajuda-o a chorar...
E assim, ninguém sabe se chora ou se é a água celestial que lhe varre o rosto.
A Princesa desapareceu!
O Rei sofre...
Rei sem trono...
Rei sem reino!
Sem Rei... Com rocha!
Uma rocha no peito!
Onde antes batia um coração pleno de amor...
Agora nada bate!
E foi ela! Ela roubou-lhe a vida...
Regressa ao lar... um lar que nunca o foi...
Os emissários trazem novas!
Alguém a viu, dizem uns, não era ela, dizem outros...
A certeza é que ela desapareceu!
O Rei não consegue explicar...
Também nunca foi Rei!
Plebeu, talvez...
Um pobre coitado...
Espera a morte...
A vida perdeu o sentido...
A Princesa desapareceu!

Luiz Pessoa

quarta-feira, julho 20, 2011

Já...



Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Lispector

quinta-feira, julho 14, 2011

Beira-Mar TerraNova


Arranca amanhã na Terra Nova, um novo projecto do qual, com muito orgulho faço parte!
COM O BEIRA 100 CRISE, um programa que falará do Beira-Mar e dos "nossos" heróis!
Descontracção, uma conversa informal, o outro lado da Equipa Profissional de Futebol!
Sextas às 19, na Rádio dos 25!...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Eu... Sou tu!





Inspiro…
Expiro…

Fecho os olhos…
Dispo-me…
O frio invade-me…
A dormência abraça-me!

Inspiro…
Expiro…

Aos poucos a dor do nascimento!
Já não me lembrava como era…
O ar entra célere para os pulmões,que se enchem pela primeira vez de ti!

Inspiro…
Expiro…

Vejo-me no espelho. Não sou eu!
Sou tu!
Como te posso descrever?
Linda!
Sorriso fácil e amigo…
Talento, orgulho!

Inspiro…
Expiro…

Olho em volta! E… eu…
Sou tu!
Em casa, no trabalho, no café…
Tu, no teu dia-a-dia,
No quarto, no escritório, na esplanada…
Ou simplesmente, no simples facto de eu ser… Tu!

Inspiro…
Expiro…

Mais loira, mais morena, mesmo ruiva de cara sardenta!…
Mais alta, baixa, gorda ou magra…
O teu tu invadiu o meu…
E eu… Eu? Deixo de o ser!

Inspiro…
Expiro…
Fixo o ponto lá no alto!
Inspiro…
Expiro…
Inspiro…
Expiro…



Texto para Workshop de Iniciação às Técnicas do Actor, com Marcantonio Del Carlo

sexta-feira, julho 30, 2010

Na minha próxima vida...

Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo. E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer. Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilá!" - desapareço num orgasmo...
Woody Allen

quinta-feira, junho 10, 2010

Uma boa "Sugerência"!


Esta é a história de um grupo de teatro universitário, os Sem-Abrigo, que nunca teve subsídios nem estilo dramático definido.
Um belo dia, Gabriel, o líder do grupo, decide escrever uma peça e encená-la. Isto cria um certo mal-estar dentro de um grupo de amadores, cuja maior virtude sempre foi um espírito colectivo no que diz respeito à criação.
Um enredo humorado e cheio de revezes que irá surpreender os espectadores chamados a participar no espectáculo de forma original e divertida.
Um texto original do actor e encenador Marcantonio Del Carlo, levado à cena pelo ArTeC nos anos 90, agora reescrito pelo mesmo, que retrata a realidade do dia-a-dia de todos os que se dedicam ao teatro amador, procurando escapar ao quotidiano académico, aborrecido na forma e inconsequente nos conteúdos.Muitos fazem-no cantando numa tuna, ou escrevendo no jornal da associação de estudantes, ou fumando charro atrás de charro. Outros, a maioria, frequentando as festas da universidade.
Os Amigos de Gabriel recorrem ao teatro para se esquecerem que talvez, quando acabarem o que Bolonha lhes impingiu, irão parar ao tal desemprego de que todos falam, mas ninguém quer saber.
Texto e encenação:Marcantonio Del Carlo
Elenco:Amadeu Mendes, Ana Reis, Diana Freire, Diogo Marques, Filipa Teixeira, Helga Costa, Raquel Martins e Tito Teixeira
Luz:Pedro Simões
Figurinos:Luísa Valdeira
Grafismo e Imagem:Rui Soares Esteves
Som e Produção:Catarina Poderoso
Parceria: ArTec - Grupo de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa
Entrada: 4,50€




Data:
Sábado, 12 de Junho de 2010
Hora:
22:00 - 23:30
Local:
Pauta Humana - Estúdio de Artes Contemporâneas
Rua:
Rua Eng. José Bastos Xavier n.º50, 3750-114 Águeda; GPS: N 40º 57.706 W 008º44.586

quarta-feira, maio 12, 2010

Cardoso: O Rafeiro com mais pedigree do mundo….


Conheci o Cardoso no dia 26 de Abril de 2010, na aldeia da Mata Pequena, perto de Mafra.
Era quase de noite e pouco tempo tivemos para nos conhecermos melhor.
No outro dia de manhã, vi-o ao fundo da rua, assobiei para o chamar. Ele olhou para mim e desceu a rua ao meu encontro… Tenho de reconhecer que no inicio ele me olhava de forma estranha e desconfiada, mais tarde vim a perceber o porquê.
- Olá, tudo bem? – na sua mudez, lá me foi dizendo que sim.
Era já tarde e tinha muito que visitar, despedi-me e pus-me ao caminho.
Á noite, quando regressei, lá estava ele! Vigilante, atento. Fui estacionar o carro e ele veio atrás de mim.
- Cardoso, como estás? – trocámos algumas palavras, e depois fui para casa.
Na manhã do dia seguinte, quando saí, lá estava ele! Lá me meti com ele…
- Então, Cardoso, dormiste bem? Como estás?
Brincámos um bocado e ele acompanhou-me ao carro.
Está-se mesmo a ver… ao fim da tarde, quando regressei á Aldeia da Mata Pequena, o Cardoso parecia que estava á minha espera. Levantou as orelhas e acompanhou o carro até ao estacionamento. Quando saí, o Cardoso começou a saltar para mim, e a querer morder-me as mãos! Sentia que podia confiar naqueles dentes! Nunca apertou as mandíbulas ao ponto de magoar! Parecia que naquelas “trincas” estavam beijos!
Nesse dia brincámos um pouco!
A nossa amizade ia crescendo a olhos vistos !
Depois de uma noite de descanso, perspectivava-se outro dia de passeio: Sintra fazia parte de um dos meus destinos.
Claro, a história repete-se! O Cardoso, ao ver-me, corre para mim! E juro, que ele vinha a rir-se!
Saltou, lambeu e mordeu-me as mãos! Desafiava-me a correr!
Tinha arranjado um amigo!
No último dia, as coisas mudaram! Inicialmente, o Cardoso correu para mim… Mas quando começou a ver o movimento de malas a entrar na bagageira do meu carro…
Chamei-o: Cardoso anda cá!
Mas ele olhou-me com um olhar triste, e ficou onde estava.
- Cardoso, então? Anda cá!
Nada…!
Encaminhei-me para ele, mas ele levantou-se chateado e virou-me as costas!
Com a cabeça baixa, foi sentar-se junto á porta do meu carro.
Fui ter com ele, mas, mais uma vez, virou-me as costas.
Estranho, pensei!
Mas eram horas de saldar contas com o Diogo, o gerente/dono/cicerone/telefonista/etc, da Aldeia da Mata Pequena.
Falei-lhe do Cardoso e de como ele parecia estar chateado comigo.
- O Cardoso – disse o Diogo – veio para cá há uns anos… era vadio, e quase não deixava ninguém aproximar… Sentia medo de tudo e de todos! Era um cão vadio, e via-se que tinha sido bastante maltratado! Entretanto, começámos a tratar dele… È estranho ele dar-se assim… Não é habitual! Geralmente é desconfiado e não permite que ninguém se aproxime!
O relógio era inimigo e o tempo passava a voar… A viagem para Lisboa, onde ia ver a peça de teatro da minha irmã, esperava-me.
Voltei a olhar para o Cardoso… Chamei-o… Deitado na estrada, com a cabeça apoiada nas patas, olhou-me com aquele ar de quem diz: Vai lá... Deixa-me!
Como não obtive resposta, fiz-me á estrada…
Olhei para o retrovisor e ele lá continuava deitado…
E assim ficou, a olhar o vazio…

sábado, abril 25, 2009

Um Orgulho...

A cabeça amarela... é a minha maninha :)



"São quase todos estudantes. Três rapazes e seis raparigas completam o grupo de teatro ARTEC. Mas há alguns com vidas de trabalhadores. Une-os o facto de, durante cerca de dois meses, se terem reunido quase diariamente, em horários pós-laborais, para fazerem teatro amador. Alguns entraram este ano para o grupo, outros já faziam parte da mobília.
O líder da trupe é Marcantónio Del Carlo e, embora seja o encenador do ARTEC, gosta de frisar, nos ensaios menos bons, que não é nenhum “mestre-escola”. É ele que impõe ordem no Bar Novo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), o espaço que acolhe o ARTEC tantas noites.
As paredes deste bar já conhecem muitas histórias de teatro passadas. Desta vez, sabem que a peça a estrear hoje, NÚ, trata de “um casal de estudantes que trabalha num call center e… não! Não é! Esta é a história de Youness, um estudante de Erasmus, que está em Portugal há pouco tempo e adora “tocar” as colegas debaixo da carteira, em Literatura Grega III”, escreveu Marcantónio Del Carlo no panfleto de divulgação.
Mas não se resume a isto. Quanto a mim, esta peça trata de “pôr a nú” as relações entre homens e mulheres no seio universitário... Lima aspectos relacionados com todos e com cada um de nós intimamente, da mesma forma que nos “toca” no íntimo de formas diferentes. O objectivo é rir e chorar, mas, acima de tudo, deixar-nos a pensar.



Para isso, foram necessárias muitas horas de dedicação, muita arrelia, e muitas horas sem dormir de todos os jovens actores amadores constituintes do grupo ARTEC, assim como do encenador, da produtora, da cenógrafa e do luminotécnico. Abdicou-se da vida social, do estudo para os exames, mas, por vezes, a solução foi mesmo adiar ou atrasar os ensaios.
Quanto aos actores, com quem contactei diariamente não propriamente para fazer esta reportagem, mas sobretudo por ter descoberto, tal como eles, a paixão do teatro, esperam que os espectadores se riam e chorem. Querem, como costuma dizer o encenador, “curtir” a representação. Está quase a estrear e os nervos em todos apertam.
“ Nú” estreia hoje no Bar Novo da FLUL e estará patente até ao fim de Maio, ou quem sabe mais tempo, às sextas e sábados pelas 22 horas.

in http://noticias.sapo.pt/info/artigo/990037.html

segunda-feira, abril 06, 2009

Até um dia...

A noticia apareceu sobre a forma de telefonema...
A constipação tinha-me deixado preguiçoso e molenga e aproveitei para descansar...
Era de manhã...
O sol há muito tinha acordado... Ao longe um tiriri, que eu não discortinava, ia-me trazendo à realidade...
Procurava o tal tiriri, mas não o encontrava... de facto, é dificil encontrar um telefone verdadeiro num sonho...
Acordei...
Finalmente, percebi donde vinha o tal tiriri, e porque o não o encontrava! Vinha do escritório...
Atendi...
"Amor, tenho uma noticia triste..."
Percebi logo que algo de errado se passava, e o meu pensamento voou para perto da realidade.
"... tenho uma noticia triste... o teu pai ligou-me... tem calma... a tua avó morreu...!"
A minha avó morreu...!
Como?
"Estava sentada, ontem à noite, e caiu inanimada... Não foi possível fazer nada..."
Foi assim...
A minha bó Céu, foi ter com o meu bô Tónho!
... Ao Céu! Ao sítio onde os filhos de Deus se encontram....
O filme das nossas vidas correu rápido à minha frente...
Um filme da frente para trás... Compreensivel... Primeiro, aquilo mais fresco...
A última vez que estive com ela no lar e lhe pedi a receita do seu leite creme... Hum, que delicia era! Nunca mais comi leite creme igual... e isto não é um daqueles chavões que se costuma dizer. De verdade! Nunca mais comi um leite creme, tão bom como o da minha bó Céu!
"Avó, diz-me como fazias o teu leite creme."
"Então, pões o leite a ferver com o açucar, a farinha, juntas as gemas..."
E o meu pai lá ia ajudando nas quantidades... Quantas colheres de farinha? Quantos ovos?
Mas mesmo assim dito pela artista, o leite creme da avó, feito como ela dizia nunca será igual. Falta a lareira, as galinhas e, sobretudo, a minha avó!
A minha avó Céu, nestes últimos anos, já não "andava bem".
A partida, há 15 anos, do meu avô, abalou-a...
A senilidade, própria de uma senhora na casa dos 80, transformou-a numa pequena "troca-tintas" que por vezes, roçava as fronteiras do... indelicado...
Pouco depois do meu avô ter ido para o Céu, a minha avó veio viver para o nosso pequeno T2.
Foi pela Páscoa.
Quinta feira Santa.
Ela tinha ido com a minha mãe às cerimónias da tarde.
"Vai andando Mena, e ainda fico por cá...". Da Igreja do Carmo a minha casa, distam cinco espaços do ponteiro grande de um relógio.
Pelo sim pelo não, eu e a minha irmã, fomo buscá-la. Lá estava... Do lado esquerdo, sentada, num banco...
- Vó, vamos? São quase horas de jantar...
- Mais um bocadinho...
- Ok, enquanto espero vou ali confessar-me...
A conversa com o frei, foi, sem querer, demorada.
Noc, noc...
- Mano, demoras, a vó quer ir embora.
- Vou já...
Chegados ao sitio onde a minha irmã tinha deixado a avó, ela não estava.
- Já foi andando, vamos para casa.
- A avó já chegou? Ainda não, mas ela saiu antes de nós... vamos procurá-la...
Corremos a cidade...
S. Pedro, lembrou-se também de fazer das suas...
Corremos a cidade... eu de bicicleta, o meu pai de carro, tal como o Nuno e o Pedro (a quem entretanto pedi ajuda)... Nada.
Desaparecida!
- Vamos à Polícia
- Não vamos
- Aguardamos mais um pouco...
- Vamos!
A minha bicicleta voou...!
Acho que nunca pedalei com tanta velocidade, nem quando fui perseguido por aqueles 5 cães...!
Cheguei à PSP, muito antes daqueles que foram de carro!
- Vim participar o desaparecimento da minha avó...
- Onde foi, que idade tem?
Os formalismos estavam a ser cumpridos, quando ouço o carro do meu pai a chegar. A Avó tinha aparecido!
Ao pé das bombas da Repsol, junto à Universidade.
Num rebate de lucidez, entrou nas bombas e pediu ajuda!
Lembro-me perfeitamente da sua cara de menina traquina, que acabou de fazer uma asneira!
Lembro-me da sua cara assustada...
Foi um susto para todos... foram cerca de 3 horas de "à procura da avó desaparecida..."

A minha avó era uma mulher do campo, da terra...
Do cheiro a quintal, a lareira, às rosas perto da janela da cozinha, às laranjeiras ao pé do ribeiro...

Lembro-me de a ver, de manhã, no "telheiro", a pentear o seu longo cabelo louro acizentado que apanhava numa trança e enrolava no cimo da cabeça, e o quanto eu admirava o seu cuidado, frente ao pequeno espelho, baço e velho que estava preso num lavatório antigo...

"Ah desgraçado que já foste ao galinheiro espantar as galinhas do choco!"

"Deixa os gatos em paz...!!"

"Cuidado com o galo! Ele é mau!"

"Quem tirar a palhinha mais pequena paga a rodada no café...."

Ontem, na missa, ao seu lado, pensava nisto tudo...
A Avó foi para o Céu ter com o Avô...

E assim, enquanto eu me lembrar das coisas que ela foi, fez e significou para mim, a minha avó viverá, para sempre! No meu coração, no meu pensamento.
Em mim, e nos filhos que terei e a quem irei passar os seus genes!

Tão cedo, não me fará o tal leite creme, mas sempre poderei dizer: Não há leite creme como o da minha vó Céu...

Até um (bom) dia...

sábado, março 07, 2009

Devia...




EPITÁFIO - Titãs

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

... e teria vivido, com certeza, melhores Bons Dias...

sábado, janeiro 10, 2009

Na rádio... depois do Jornal...

Pois é...
Seguindo este hobbie de "Jornalista Desportivo" (peço desculpa aos verdadeiros Jornalistas...) fui convidado para fazer parte da equipa desportiva da Rádio Terranova. Já era fotógrafo e repórter do GRANDE e (agora) renovado CORREIO DO VOUGA.

Portanto, aos Domingos, à hora dos jogos do Beira Mar (geralmente os em casa, no Municipal de Aveiro) lá estarei aos microfones da Terranova FM em 105 FM a ajudar a mostrar aos ouvintes aquilo que se vai passando no relvado!


Também podem ver aqui! :)
E assim vamos construindo melhores Bons Dias...

Ah, e bom ano para todos!

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Um Santo e Feliz Natal!


Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Isaías 9:6

quinta-feira, junho 26, 2008

Intervalo - Per7ume

Gosto da forma que soa ao ouvido...



A E
Vida em câmara lenta,
A
Oito ou oitenta,
E A
Sinto que vou emergir,
E A
Já sei de cor todas as canções de amor,
E
Para a conquista partir.

D E
Diz que tenho sal,
A D
Não me deixes mal,
E
Não me deixes…

D
No livro que eu não li,
E
No filme que eu não vi,
A E
Na foto aonde eu não entrei,
D
Noticia do jornal
E A
O quadro minimal… Sou eu…

A E
Vida á média rés,
A
Levanta os pés
E A
Não vás em futebois, apesar…
E A
Do intervalo, que é quando eu falo,
E
Para não me incomodar.

D E
Diz que tenho sal,
A D
Não me deixes mal,
E
Não me deixes…



D
No livro que eu não li,
E
No filme que eu não vi,
A E
Na foto aonde eu não entrei,
D
Noticia do jornal
E A
O quadro minimal… Sou eu…

D E
Não me deixes já
A D
Historia que não terminou
E
Não me deixes…

D
No livro que eu não li,
E
No filme que eu não vi,
A E
Na foto aonde eu não entrei,
D
Noticia do jornal
E A
O quadro minimal… Sou eu…

D
No livro que eu não li,
E
No filme que eu não vi,
A E
Na foto aonde eu não entrei,
D
Noticia do jornal
E A
O quadro minimal… Sou eu…

terça-feira, junho 17, 2008

História devida - Há felicidades que acontecem...

A História devida é um programa da Antena 1 de Miguel Guilherme e Inês Fonseca Santos.
É um dos meus programas de rádio preferidos.
Há uns tempos, resolvi enviar um texto:
O Zé.
Nos inícios de Março, fui contactado pela produção do programa, para me informarem que a minha História devida, tinha sido escolhida!!!
Partilho convosco o texto e o áudio do programa.
Espero que gostem...


(carreguem no "play")


O Zé!

Foi num final de primavera, não me lembro há quantos anos. Os suficientes para que os números se baralharem no cofre da minha memória. Sei que já contava, pelo menos, uns vinte verões!
Umas amigas minhas faziam voluntariado numa instituição, um ATL, num dos bairros, ditos problemáticos, da cidade, e eu, volta e meia, ia ajudá-las.
Conta-se que, no início, fruto do hábito de ter três ou quatro tábuas e uma chapa ondulada, às quais chamavam casa, havia pessoas que criavam galinhas nas banheiras em vez de as utilizarem (às banheiras) para o fim que o seu inventor lhes deu. Penso que agora tudo está “normalizado”.
Os grandes utentes da instituição eram os pequenos miúdos e miúdas do bairro, que lá iam ter explicações, fazer os trabalhos de casa, brincar, enfim, ocupar os seus tempos livres...
De entre todos, havia um, o Zé. Um pequeno, grande terror!
Mais uma vez, o cofre da minha memória esconde o nome verdadeiro do petiz, por isso, baptizei-o simplesmente de Zé e será assim que me irei recordar dele!
O Zé era aquilo que se pode chamar de “o diabo em figura de gente”! Quando ele chegava, a paz, a calmaria, desapareciam...
Mal criado q. b., rezingão e sempre a fazer asneiras!
Ninguém tinha mão nele!
As minhas amigas pediam-me para fazer qualquer coisa, pois elas sentiam-se impotentes.
Como homem, se com vinte anitos podemos dizer uma coisa destas, comecei a tentar adestrá-lo.
As minhas “armas” foram uns “calduços”, uns berros e uns puxões de orelhas de vez em
quando (eu sei que não é muito pedagógico, mas na altura e com a minha experiência de vida esta era a solução que estava “mais à mão”!).
Como é fácil de imaginar, não obtive grande sucesso. Com franqueza, não obtive sucesso nenhum!
Foram muitos dias assim. Não sabia que havia de fazer ao pequeno selvagem...
Não sei como, se durante um dos passeios pelos meus pensamentos ou se por desespero,
decidi mudar de atitude.
Deixei de querer mostrar que eu era o “galo” lá do sitio. Os calduços foram substituídos por leves palmadinhas nas costas, os puxões de orelhas por abraços e o berros por um acolhedor “Olá Zé, como estás? Como correu o teu dia?”.
Sinceramente, nunca pensei que viesse a mudar alguma coisa.
Aos poucos, comecei a ver o Zé, mais calmo. Ao ponto de, quando chegava, corria para os meus braços e vinha dar-me um beijinho. Queria estar comigo e algumas vezes fez os
“deveres” sentado ao meu colo, e quando acabava lá ia buscar um ou outro jogo para
brincarmos.
Eu não queria acreditar no que estava a acontecer, e muito menos as minhas amigas que
diziam que, apesar de mais calmo, quando eu não estava ele “ainda descarrilava um
bocadinho”.
Como tudo tem um fim, a minha presença no ATL também findou. As férias grandes estavam à porta e o período de voluntariado das minhas amigas também conheceu o seu epílogo.
No último dia, cheguei ao pé do Zézito e disse-lhe: Olha, hoje é a última vez que venho...
Ele, com lágrimas nos olhos e com a voz embargada disse-me: Nunca mais te vou ver!??
- Que ideia, retorqui, claro que me vais ver... E muitas vezes!
Abraçou-me, num abraço que poucas ocasiões temos a felicidade de receber...
Aquele menino precisava de um porto de abrigo! Mares turbulentos, tempestades, já ele tinha em casa! E de certeza que recebia muito mais do que os meus calduços ou cachacitos!
Comigo teve aquilo que de mais puro uma criança quer: carinho, acolhimento, amor!
Hoje, passados, sei lá ,10-12 anos, lembro-me da frase profética do Zé: Nunca mais te vou ver!
Para mágoa minha, acertou...

Pedro Martins – Aveiro

quarta-feira, maio 14, 2008

Por uma "Causa Superior"




O 'Causas Superiores TMN' é um concurso organizado pela TMN, onde estão inscritos vários grupos de voluntariado constituídos por estudantes universitários. O GAS'África é, pois, uma das 'causas superiores' inscritas.

O vencedor, é o grupo de voluntariado com mais subscrições. Para isso é necessário:

1. Irem ao site - www.causassuperiorestmn.com
2. Carregarem em 'Causas candidatas'
3. Escolherem 'GAS'África'
4. 'Subscrever esta causa'
5. Preencher com o Nome e o nº do BI

Ajudem o GAS'África a ser a causa vencedora!

GAS'África - Grupo de Acção Social em África e em Portugal

Universidade Católica Portuguesa - Porto www.gasafricaporto.page.tl


Quem é o GAS'África??

O GAS’África é um grupo de acção social com projectos de voluntariado em África (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe) e em Portugal (na ilha da Madeira). É um grupo católico, ligado à Universidade Católica Portuguesa, composto por jovens estudantes dos mais variados cursos e faculdades, que escolhem viver os seus meses de férias numa entrega incondicional a esse “próximo” de que Jesus nos fala. Durante o ano lectivo temos reuniões semanais de formação e preparação para o projecto, para o qual partimos no final de Julho, regressando dois meses depois.

Apostamos em trabalhos concretos e simples e na amizade que construímos com aqueles que servimos.

Propomos um esquema de trabalho baseado:

  • num grupo que partilha o dia-a-dia;
  • na disponibilidade total para todas as pessoas;
  • na oração;
  • na simplicidade de vida, que nos torna mais disponíveis para estarmos com o Outro;
  • na distância ao ambiente, pessoas e bens que nos rodeiam, para que estejamos mais atentos aos que estão ao nosso lado.

Queremos oferecer tudo o que somos, em qualquer serviço que contribua para a dignificação da Pessoa.

Para isso é preciso:

  • vontade de Amar e Servir;
  • ter Agosto e Setembro livres;
  • disponibilidade para as reuniões de formação durante o ano;
  • aceitar as regras do Projecto GAS’África;
  • disponibilidade para trabalhar no local mais necessário;
  • trabalhar gratuitamente.

Os custos de transporte, alimentação e estadia nos locais de trabalho são assegurados por financiamentos de empresas e particulares, devendo todos os GAS’Africanos tentar conseguir esses mesmos patrocínios.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

10abafo...



Às vezes, tenho a nítida sensação que estou completamente errado e aquilo que me ensinaram e mostraram não faz sentido...

Sinto que Cristo continua a morrer em vão...
Cristo continua constantemente a ser traído por Judas...

Ou será que hoje em dia, as pessoas já não se preocupam em defender uma coisa e fazer outra completamente contrária???

Desde que estejam no topo...
"Eu estou... eu sou... eu faço... eu apareço..."... E depois? Quando verdadeiramente têm de demonstrar... falham completamente...

Diz-se que há necessidades... quando é possível suprimir algumas, fecham-se as portas e janelas e mesmo as chaminés, não vá alguém tentar entrar por lá...

Hipocrisia ou pobreza de espírito??

Onde está a humildade??
Onde estão os valores?
Onde está o ser Cristão?

"Eis que estou à porta e bato" (Ap 3, 20) - Obrigado por Teres vindo, mas hoje não me dá jeito... Eu continuo Contigo, mas vem noutra altura... Serás bem vindo!

Os títulos e cargos não servem apenas para serem exibidos...
Servem para serem postos a render ao serviços dos outros...
Se tiver de "trabalhar na sombra"... que importa? Eu sei que quem verdadeiramente "julga" e aprecia, vê!
E isto é o mais importante...

... Bons dias...