segunda-feira, dezembro 06, 2010

Eu... Sou tu!





Inspiro…
Expiro…

Fecho os olhos…
Dispo-me…
O frio invade-me…
A dormência abraça-me!

Inspiro…
Expiro…

Aos poucos a dor do nascimento!
Já não me lembrava como era…
O ar entra célere para os pulmões,que se enchem pela primeira vez de ti!

Inspiro…
Expiro…

Vejo-me no espelho. Não sou eu!
Sou tu!
Como te posso descrever?
Linda!
Sorriso fácil e amigo…
Talento, orgulho!

Inspiro…
Expiro…

Olho em volta! E… eu…
Sou tu!
Em casa, no trabalho, no café…
Tu, no teu dia-a-dia,
No quarto, no escritório, na esplanada…
Ou simplesmente, no simples facto de eu ser… Tu!

Inspiro…
Expiro…

Mais loira, mais morena, mesmo ruiva de cara sardenta!…
Mais alta, baixa, gorda ou magra…
O teu tu invadiu o meu…
E eu… Eu? Deixo de o ser!

Inspiro…
Expiro…
Fixo o ponto lá no alto!
Inspiro…
Expiro…
Inspiro…
Expiro…



Texto para Workshop de Iniciação às Técnicas do Actor, com Marcantonio Del Carlo

sexta-feira, julho 30, 2010

Na minha próxima vida...

Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo. E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer. Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilá!" - desapareço num orgasmo...
Woody Allen

quinta-feira, junho 10, 2010

Uma boa "Sugerência"!


Esta é a história de um grupo de teatro universitário, os Sem-Abrigo, que nunca teve subsídios nem estilo dramático definido.
Um belo dia, Gabriel, o líder do grupo, decide escrever uma peça e encená-la. Isto cria um certo mal-estar dentro de um grupo de amadores, cuja maior virtude sempre foi um espírito colectivo no que diz respeito à criação.
Um enredo humorado e cheio de revezes que irá surpreender os espectadores chamados a participar no espectáculo de forma original e divertida.
Um texto original do actor e encenador Marcantonio Del Carlo, levado à cena pelo ArTeC nos anos 90, agora reescrito pelo mesmo, que retrata a realidade do dia-a-dia de todos os que se dedicam ao teatro amador, procurando escapar ao quotidiano académico, aborrecido na forma e inconsequente nos conteúdos.Muitos fazem-no cantando numa tuna, ou escrevendo no jornal da associação de estudantes, ou fumando charro atrás de charro. Outros, a maioria, frequentando as festas da universidade.
Os Amigos de Gabriel recorrem ao teatro para se esquecerem que talvez, quando acabarem o que Bolonha lhes impingiu, irão parar ao tal desemprego de que todos falam, mas ninguém quer saber.
Texto e encenação:Marcantonio Del Carlo
Elenco:Amadeu Mendes, Ana Reis, Diana Freire, Diogo Marques, Filipa Teixeira, Helga Costa, Raquel Martins e Tito Teixeira
Luz:Pedro Simões
Figurinos:Luísa Valdeira
Grafismo e Imagem:Rui Soares Esteves
Som e Produção:Catarina Poderoso
Parceria: ArTec - Grupo de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa
Entrada: 4,50€




Data:
Sábado, 12 de Junho de 2010
Hora:
22:00 - 23:30
Local:
Pauta Humana - Estúdio de Artes Contemporâneas
Rua:
Rua Eng. José Bastos Xavier n.º50, 3750-114 Águeda; GPS: N 40º 57.706 W 008º44.586

quarta-feira, maio 12, 2010

Cardoso: O Rafeiro com mais pedigree do mundo….


Conheci o Cardoso no dia 26 de Abril de 2010, na aldeia da Mata Pequena, perto de Mafra.
Era quase de noite e pouco tempo tivemos para nos conhecermos melhor.
No outro dia de manhã, vi-o ao fundo da rua, assobiei para o chamar. Ele olhou para mim e desceu a rua ao meu encontro… Tenho de reconhecer que no inicio ele me olhava de forma estranha e desconfiada, mais tarde vim a perceber o porquê.
- Olá, tudo bem? – na sua mudez, lá me foi dizendo que sim.
Era já tarde e tinha muito que visitar, despedi-me e pus-me ao caminho.
Á noite, quando regressei, lá estava ele! Vigilante, atento. Fui estacionar o carro e ele veio atrás de mim.
- Cardoso, como estás? – trocámos algumas palavras, e depois fui para casa.
Na manhã do dia seguinte, quando saí, lá estava ele! Lá me meti com ele…
- Então, Cardoso, dormiste bem? Como estás?
Brincámos um bocado e ele acompanhou-me ao carro.
Está-se mesmo a ver… ao fim da tarde, quando regressei á Aldeia da Mata Pequena, o Cardoso parecia que estava á minha espera. Levantou as orelhas e acompanhou o carro até ao estacionamento. Quando saí, o Cardoso começou a saltar para mim, e a querer morder-me as mãos! Sentia que podia confiar naqueles dentes! Nunca apertou as mandíbulas ao ponto de magoar! Parecia que naquelas “trincas” estavam beijos!
Nesse dia brincámos um pouco!
A nossa amizade ia crescendo a olhos vistos !
Depois de uma noite de descanso, perspectivava-se outro dia de passeio: Sintra fazia parte de um dos meus destinos.
Claro, a história repete-se! O Cardoso, ao ver-me, corre para mim! E juro, que ele vinha a rir-se!
Saltou, lambeu e mordeu-me as mãos! Desafiava-me a correr!
Tinha arranjado um amigo!
No último dia, as coisas mudaram! Inicialmente, o Cardoso correu para mim… Mas quando começou a ver o movimento de malas a entrar na bagageira do meu carro…
Chamei-o: Cardoso anda cá!
Mas ele olhou-me com um olhar triste, e ficou onde estava.
- Cardoso, então? Anda cá!
Nada…!
Encaminhei-me para ele, mas ele levantou-se chateado e virou-me as costas!
Com a cabeça baixa, foi sentar-se junto á porta do meu carro.
Fui ter com ele, mas, mais uma vez, virou-me as costas.
Estranho, pensei!
Mas eram horas de saldar contas com o Diogo, o gerente/dono/cicerone/telefonista/etc, da Aldeia da Mata Pequena.
Falei-lhe do Cardoso e de como ele parecia estar chateado comigo.
- O Cardoso – disse o Diogo – veio para cá há uns anos… era vadio, e quase não deixava ninguém aproximar… Sentia medo de tudo e de todos! Era um cão vadio, e via-se que tinha sido bastante maltratado! Entretanto, começámos a tratar dele… È estranho ele dar-se assim… Não é habitual! Geralmente é desconfiado e não permite que ninguém se aproxime!
O relógio era inimigo e o tempo passava a voar… A viagem para Lisboa, onde ia ver a peça de teatro da minha irmã, esperava-me.
Voltei a olhar para o Cardoso… Chamei-o… Deitado na estrada, com a cabeça apoiada nas patas, olhou-me com aquele ar de quem diz: Vai lá... Deixa-me!
Como não obtive resposta, fiz-me á estrada…
Olhei para o retrovisor e ele lá continuava deitado…
E assim ficou, a olhar o vazio…

sábado, abril 25, 2009

Um Orgulho...

A cabeça amarela... é a minha maninha :)



"São quase todos estudantes. Três rapazes e seis raparigas completam o grupo de teatro ARTEC. Mas há alguns com vidas de trabalhadores. Une-os o facto de, durante cerca de dois meses, se terem reunido quase diariamente, em horários pós-laborais, para fazerem teatro amador. Alguns entraram este ano para o grupo, outros já faziam parte da mobília.
O líder da trupe é Marcantónio Del Carlo e, embora seja o encenador do ARTEC, gosta de frisar, nos ensaios menos bons, que não é nenhum “mestre-escola”. É ele que impõe ordem no Bar Novo da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), o espaço que acolhe o ARTEC tantas noites.
As paredes deste bar já conhecem muitas histórias de teatro passadas. Desta vez, sabem que a peça a estrear hoje, NÚ, trata de “um casal de estudantes que trabalha num call center e… não! Não é! Esta é a história de Youness, um estudante de Erasmus, que está em Portugal há pouco tempo e adora “tocar” as colegas debaixo da carteira, em Literatura Grega III”, escreveu Marcantónio Del Carlo no panfleto de divulgação.
Mas não se resume a isto. Quanto a mim, esta peça trata de “pôr a nú” as relações entre homens e mulheres no seio universitário... Lima aspectos relacionados com todos e com cada um de nós intimamente, da mesma forma que nos “toca” no íntimo de formas diferentes. O objectivo é rir e chorar, mas, acima de tudo, deixar-nos a pensar.



Para isso, foram necessárias muitas horas de dedicação, muita arrelia, e muitas horas sem dormir de todos os jovens actores amadores constituintes do grupo ARTEC, assim como do encenador, da produtora, da cenógrafa e do luminotécnico. Abdicou-se da vida social, do estudo para os exames, mas, por vezes, a solução foi mesmo adiar ou atrasar os ensaios.
Quanto aos actores, com quem contactei diariamente não propriamente para fazer esta reportagem, mas sobretudo por ter descoberto, tal como eles, a paixão do teatro, esperam que os espectadores se riam e chorem. Querem, como costuma dizer o encenador, “curtir” a representação. Está quase a estrear e os nervos em todos apertam.
“ Nú” estreia hoje no Bar Novo da FLUL e estará patente até ao fim de Maio, ou quem sabe mais tempo, às sextas e sábados pelas 22 horas.

in http://noticias.sapo.pt/info/artigo/990037.html