VEM SEMPRE UMA SUBIDA!!
terça-feira, outubro 10, 2006
sábado, setembro 30, 2006
Epílogo

A primeira vez é a mais complicada...
Não sei se será sempre assim, no entanto, a (in)experiência que tínhamos, levou a que nem sempre optássemos pelas melhores soluções.
É hora de avaliar todo um percurso não só de estrada, mas de vida.
O caminho faz-se caminhando...
E não será só andar para chegar ao destino!
Ou melhor, é chegar a um destino muito mais longínquo do que o local de chegada...
Nós!
E quantas vezes não nos ouvimos? Quantas vezes andamos de costas voltadas para nós?
Na adversidade do Caminho, naqueles momentos em que, em grupo, pedalávamos sós, tive a oportunidade de me ouvir... me escutar...
Pode parecer uma chinesice, mas a verdade é que todos crescemos, e regressámos um pouco diferentes...
Piores ou melhores...?? Simplesmente diferentes!
Vários grupos foram, nestas últimas semanas, em peregrinação a Santiago. Pelo que fui percebendo, todos acharam esta experiência extremamente enriquecedora.
Foram os 2 ou
Para a próxima já sei!
Tomem nota:
Se forem de bicicleta não se esqueçam das habituais ferramentas: Câmaras de ar suplentes, pneu, bomba de ar e remendos (ah! Não façam como eu que comprei um kit mas que alguém palmou o tubo de cola... cuspe não serve...).
Depois, não esqueçam de por dentro de sacos plásticos toda a vossa roupa! Se apanharem chuva vão agradecer!
Há quem não goste muito, mas uns extensores para o guiador dão muito jeito!
Luvas! Importante! Pode não parecer, mas umas luvas ajudam, e de que maneira, as nossas mãozinhas...
Calções de ciclismo. Se a zona do “Equador” não estiver calejada, não servirá de muito os calções, no entanto, depois de ganhar calo...
Ainda não tenho, mas vou pôr! Pedais para prender as botas! No início, custa a habituar (que o diga o João com as suas “quedas artísticas”) mas depois, a sua ajuda é enorme!
Para beber: Isostar ou algo do género! Vão sentir a diferença relativamente a beber só água!
Levem uma máquina, de preferência pequena (a minha Canon EOD 350D é enorme!!!), pois vale a pena registar muitas das imagens que vemos!
Quanto a dinheiro, a minha viagem ficou pelos 25 – 30 euros/dia/pessoa.
Sabendo que em Espanha não se “paga” o alojamento (cada um dá o que quiser) e que cada refeição fica pelos 6/7 euros.
Portugal fica mais caro, uma vez que não há albergues e temos de pernoitar em pensões, claro que podem dormir na “Pensão Estrelas”, mas um banho quente no final de cada jornada é como sopa no mel...!!
PM
quarta-feira, julho 19, 2006
CAPÍTULO VIII
Os músculos tinham entrado em greve e parecia que doíam todos! É engraçado o nosso cérebro: até ao dia anterior as dores eram as “normais” do esforço ao qual não estávamos habituados, mas neste dia...
Depois de um pequeno almoço que me fez suspirar mais uma vez pelas pastelarias portuguesas, fomos, pois estávamos ainda em falta, cumprir os rituais do peregrino.
Para nosso desconsolo a Missa estava mesmo no fim, no entanto Tiago recebeu o meu agradecido abraço. Foi uma sensação muito boa... Apesar do guarda e dos magotes de pessoas que se atropelavam para não perder pitada.

Por coincidência, houve logo a seguir outra missa e por isso não podemos mandar a tolada na pedra e pôr a mão. Quer dizer, depois de “chorarmos” um bocadinho a menina lá nos deixou perante o olhar indignado e a voz esganiçada de uma colega!
Depois de cumprida a tradição e a devoção, era hora de resolver a viagem de volta.
Decidiu-se alugar um maquinão (um Opel Meriva) nos levou de regresso a casa!
Lá encaixamos as nossas bicicletas e os sacos e fizemo-nos á estrada.
Para trás ficavam Santiago de Compostela e
terça-feira, julho 04, 2006
Capítulo VII
Mesmo assim, estávamos mortinhos para dar ao slide de lá!
O dia estava cinzento, mas nada de chuva. Menos mal!
Tomámos o pequeno almoço numa pastelaria simpática. E lá partimos para o último dia de viagem!
Cerca de
A saída de Pontevedra foi complicada pois na praça principal deixámos de ver setas e as pessoas davam indicações contrárias... Por fim lá conseguimos entrar no Caminho.
Pedalávamos há pouco tempo quando S. Pedro voltou a fazer das suas.
E o pior é que ele nem se importou com isso! Resultado: cinquenta quilómetros debaixo de chuva!
Não estava muito vento, mas algo nos empurrou, pois a viagem até Caldas de Reis foi um instante! Foram vinte e três quilómetros em que voámos!
Mesmo assim, eu estava gelado, quando saí do Albergue ainda ponderei vestir as calças de ciclismo, mas, em má hora, acabei por desistir da ideia. Os calções molhados não são, definitivamente, algo confortável.
Quando parámos no Cartório Paroquial, a chuva caía abundantemente. O Pároco local foi de uma gentileza extrema! Deixou que três poças de água com pernas entrassem e descansassem um pouco debaixo do abrigo do seu tecto!
E ainda por cima, quando fomos ao quarto de banho deixámos um trilho de água, indicando que por lá tínhamos passado...
Entretanto a chuva acalmou um pouco. Carimbámos os passaportes e despedimo-nos do nosso novo amigo.
Subimos para as nossas montadas e partimos em direcção a Compostela.
A hora da larica estava a chegar e, pelo caminho, não víamos nada a não ser campos, chuva, muita chuva aliás, riachos, ribeiros e afins.
No fim de um trilho paralelo à 550, perto de Pádron, virámos á esquerda e uns duzentos metros á frente estava nosso o paraíso: um restaurante!
Envergonhados pelo nosso estado (se o corpo humano é constituído por 70% de água, naquele momento, asseguro, o nosso chegava muito perto dos 100%, tal era a molha), pedimos para entrar.
A menina que nos atendeu foi muito simpática, não se importando minimamente que três marmanjos inundassem o restaurante.
Para variar, umas bocattas! Mas souberam divinalmente! Ainda por cima quentinhas... Hummm... ainda estou a ver a nossa cara: Encharcados, cansados mas a saborear a refeição com um brilhozinho nos olhos!
A paragem fez bem a toda a gente, incluído S. Pedro! Depois de almoço a chuva acalmou!
Santiago estava perto, era hora de partir!
Esta última parte foi das mais duras, não física mas psicologicamente.
Muitas vezes nos fechámos em nós próprios...
Estávamos esgotados...
O que nos ia dando ânimo eram os marcos que nos diziam que faltavam cada menos quilómetros.
Quando apareciam subidas, já ninguém fazia esforço para pedalar por elas acima. Descia-mos das bicicletas e lá íamos a caminhar.
Parecíamos uns soldados que voltavam da guerra. As nossas pernas, fruto de quilómetros de mato a bater, estavam cheias de feridas, as roupas estavam encharcadas e sujas de lama, quer dizer, a lama era o factor comum nas roupas, bicicletas, alforges e em nós próprios!
Passávamos no Agro dos Monteiros, faltando uns
aquilo que pareciam ser as torres da Catedral...
Estava quase!
O moral subia á medida que nos aproximávamos!
Porém quando chegámos à subida da Choupana fomos sentindo as forças esvaírem-se.
Aquilo parecia que não tinha fim!
Aos poucos, fomos reconhecendo a zona da Catedral.
Montámos as bicicletas e fizemos uma entrada “triunfal” na Praça do Obradoiro, onde se situa a Catedral.
Foi indescritível!
Um turbilhão de emoções passou por mim! Senti vontade de rir, chorar ou, simplesmente de ficar parado a olhar para a fachada a da Catedral!
Depois da fotografia da praxe, sentei-me no chão por minutos onde revivi em catadupa a viagem desde Ílhavo até Santiago.
Tínhamos conseguido!
Havia dúvidas? Claro que não!
A Catedral já tinha fechado, pelo que fomos tratar das nossas Compostelas! O documento que atesta que fizemos o Caminho de Santiago como peregrinos!
Depois, decidimos procurar alojamento.
Tínhamos o Albergue do Peregrino, mas depois do dia de hoje merecíamos descansar sem ter de ouvir o João a ressonar...
Nesse dia percebi o que S. José e Maria sentiram: Nas dez pensões ou hotéis em que entrámos, nenhuma tinha quartos ou só havia um...
Já desanimávamos, quando, por fim, arranjámos os dois quartitos que procurávamos. Caros (Q.B.) e sem pequeno almoço, mas já estávamos por tudo...
Arrumadas as bicicletas enlameadas, lá fomos para os quartos.
Das cores originais das nossas malas, só nos restava a lembrança, pois estavam castanhas de lama!
Mas a aventura não terminou! Depois do banho quentinho, quando pegámos nas nossas roupas, elas estavam encharcadas!
Ainda consegui enxugar uma T-shirt no sacador do hotel e vestir umas calças que com o calor do corpo foram secando, mas a Cris estava sem nada seco para vestir.
A tropa manda desenrascar, e neste caso a Cris teve de vestir a roupa molhada, pois tínhamos de sair para jantar e a fome começava a apertar.
Estávamos a caminho do restaurante quando apareceram os nossos companheiros de viagem: o Zé, a Susete e a Dora!
Foi (mais) uma alegria!
Como estávamos perto do hotel, perguntámos se não teriam uma roupita seca que pudessem emprestar... Enquanto eu, o João e a Susete fomos andando para o restaurante, os restantes foram tratar da roupa.
Passados uns minutos chega a Cris, vestida com roupa do Zé, cinquenta números acima!! Mas o mais importante é que agora estava sem frio!
O jantar foi divinal! Umas tapas (deliciosas), tortilha, salada, carne, sobremesa; tudo acompanhado com um Néctar de Baco fantástico!
Pelo meio do jantar recebi uma prenda! Um cão de louça. VERDADEIRO! Com aquele olhar! Para a caça não há melhor! Lá diz o Rouxinol Faduncho!
Para terminar um café (daquele espanhol... arghh) que tinha por muleta um bagacinho (Hummm...) e umas ginjinhas!!
Saímos de lá quase a cantar o fado, e não fosse o cansaço, que deu em preguiça, tínhamos virado umas queimadas!
O dia já ia muito longo, e depois das despedidas, lá fomos direitos ao Vale dos Lençóis.
sexta-feira, junho 16, 2006
CAPÍTULO VI
Depois do inquérito feito pelo companheiro de camarata, albardámos as bicicletas e fomos á procura de um boteco para tomar o pequeno-almoço.
Que saudades das pastelarias portuguesas!
Depois de meter alguma energia, lá nos fizemos ao Caminho, rumo a Caldas de Reis.
Esperavam-nos
A partir de Tuy, o Caminho está marcado com um azulejo azul com uma viera amarela. De quando em vez aparecem uns marcos com a distância que falta percorrer.
O moral das tropas andava em baixo, mas a vontade de chegar a Santiago, era forte.
O Caminho em Espanha é mais fácil que em Portugal, quer a nível de piso quer a nível de declive, no entanto, o cansaço acumulado tornou tudo muito mais complicado.
Como sabemos, o Caminho de Santiago trilhado originalmente por peregrinos, tem muitas Capelas e Igrejas como pontos de referência e de passagem. Acontece que, algumas vezes, andámos o dobro apenas para passar á porta da Igreja ou Capela xis, e que até se encontravam encerradas!
As recordações dos dois últimos dias esfumam-se nas brumas da memória. De facto, as imagens são muito poucas! Pedal, bicicletas, as nossas caras de cansaço, subidas, outras subidas e ainda mais subidas! Qualquer declive por mais pequeno que fosse, era a “encarnação” dos Himalaias!
Mas nem tudo foi mau.
Alguns quilómetros da viagem fora feitos
Depois de nos perdemos mais uma vez (a seta estava coberta com vegetação) entrámos na terra batida em direcção a Redondela.
Chegados lá, e depois de carimbar os passaportes e conhecer “los servicios”, umas sandochas de presunto e umas colas, no bar em frente, pareceram-nos um verdadeiro manjar de reis, tal era a galga!
O fim da jornada de hoje estava programado para Caldas de Reis, no entanto, quis S. Pedro, aliviar águas, e fomos nós quem levámos com ela!
Resultado: Apanhámos uma molha…
A vontade foi chegar o mais rápido a Pontevedra!
Chuvia copiosamente quando chegámos ao Albergue muito perto das 4 da tarde.
De lá veio a pior noticia do Mundo!
O Albergue estava cheio!
Estávamos nós quase em choque, quando todos se começam a rir! Tínhamos sido apanhados!
Afinal ainda havia camas!

Depois de carimbados os nossos Passaportes, e como era cedo, ainda olhámos para o firmamento nas esperança de ver a chuva partir, mas os
Tomámos um banho quente, descansámos e perto da hora de jantar, fomos experimentar a verdadeira comida de Shopping Center! Umas Boccatas, no restaurante com o mesmo nome, foi o nosso repasto.
Apesar da chuva, um gelado veio mesmo a calhar!
Regressámos ao Albergue onde aproveitamos para gozar o “Dolce fare niente!...”, até serem horas de dormir.
Conhecemos várias pessoas, mas houve uma que me marcou: um Brasileiro a caminho da meia idade. A primeira vez que o vi, estava ele todo torto a fazer qualquer coisa tipo yoga.
Quando falámos, contou que tinha feito o Caminho Primitivo, quarenta e três dias de viagem!
Depois de chegar a Santiago, foi até Finisterra onde apanhou um barco para o Porto, iniciando aí o Caminho Português!
E eu que dizia que andava cansado depois de 4 dias de bicicleta!
Quando o João Pestana picou bilhete, deitei-me, qual guerreiro no seu justo descanso!
Dormia eu há não sei quanto tempo, sou acordado pelo João!
- Mas que é isto? Não tens vergonha? ‘Tás farto de ressonar e as pessoas querem dormir...
Eu não estava a perceber nada... Eu que era a pessoa mais perto de mim não ouvia nada! Que falsidade!

O resto da noite foi muito complicado... Com medo de “não” deixar dormir os valentes peregrinos, estive sempre a acordar. Ainda por cima, aquele senhor que me tinha acordado ao início da noite, decidiu roubar-me o protagonismo e desatou a ressonar!...
Eu percebi o que ele quis fazer... Acordou-me, falou comigo para toda a gente ouvir, e depois dormiu descansado pois as pessoas do albergue julgavam que era eu!
Mas ele paga-mas!